terça-feira, 31 de maio de 2011

O que seria uma comunidade virtual de aprendizagem?

Atualmente, com o veloz e constante aperfeiçoamento das novas tecnologias de informação e comunicação, são requeridas novas habilidades e competências do cidadão, do usuário e do trabalhador que lida cotidianamente com elas. Os trabalhadores se vêem cada vez mais pressionados com a necessidade de formação continuada e direcionada à sua prática profissional.
Essas exigências estão proporcionando uma nova dinâmica para a atuação docente e colocando em cheque, por outro lado, as políticas institucionais de formação deste mesmo docente.
Tendo em vista a enorme capacidade de transmitir, processar e armazenar informação e as potencialidades comunicativas das novas tecnologias, a demanda sobre a educação tem sido tensionada no sentido de superar práticas educativas ultrapassadas, baseadas no modelo de produção industrial, inaugurando modelos pedagógicos voltados ao engajamento participativo em uma sociedade em mutação. Neste contexto, a formação docente que se propõe a nossos educadores, na visão de Jaques Delors, necessita habilitá-los a dar conta de quatro pilares básicos: o aprender a conhecer, o aprender a fazer, o aprender a viver com os outros e o aprender a ser (Delors 2003). Para tanto, políticas pedagógicas precisam ser traçadas de modo a possibilitar aos profissionais da educação o desenvolvimento de práticas educativas gestadas e profundamente comprometidas com os novos modos de ser e agir em franco processo de constituição em nossa sociedade. Assim, a formação on-line de docentes repercute uma maneira de se entender num mundo tecnologizado enquanto prática vivida que se traduz na proposta educativa a ser levada a cabo. A formação é experienciada como práxis.
Neste contexto, o tema que aqui propomos discutir tem sua relevância baseada no desenvolvimento e nas práticas das Comunidades Virtuais de Aprendizagem, viabilizadas pelas novas tecnologias da informação e da comunicação que proporcionam a formação de educadores on-line para atuar numa sociedade altamente tecnologizada e caracterizada por novos espaços de socialidades e subjetividades.
O tema será desenvolvido a partir da reflexão sobre o pensamento de teóricos que vêm considerando a produção do imaginário, das socialidades e das subjetividades, com vistas a identificar as relações entre educação, comunicação e cultura proporcionadas pelas Comunidades Virtuais de Aprendizagem, CVAs.
Afinal, estas se apresentam como propostas de configuração de um espaço de produção de novos sentidos, ou seja, de cultura. Desta maneira, pretende-se contribuir para um aprofundamento da discussão sobre formação docente no sentido de apontar linhas gerais que alimentem um raciocínio de composição teórico-metodológica de análise das práticas das CVAs, proporcionando o surgimento de diretrizes para propostas de formação on-line de educadores.
As comunidades virtuais são espaços formados por agrupamentos humanos no ciberespaço. Seu funcionamento está diretamente ligado, num primeiro momento, às redes de conexões proporcionadas pelas tecnologias de informação e comunicação e, num segundo momento, à possibilidade de, neste espaço, pessoas com objetivos comuns, se encontrarem, estabelecerem relações, e desenvolverem novas subjetividades.
Rheingold, um dos primeiros autores a efetivamente utilizar o termo "comunidade virtual" para os grupos humanos que mantinham relações sociais no ciberespaço, define-as como:
Comunidades virtuais são os agregados sociais surgidos na Rede, quando os intervenientes de um debate o levam por diante em número e sentimento suficientes para formarem teias de relações pessoais no ciberespaço (Rheingold 1996: 18).
A definição de comunidade virtual proposta por Rheingold nos traz elementos como discussões e sentimento. Esses elementos, combinados no ciberespaço, são formadores de redes de relações sociais que formam um ecossistema de culturas diferenciadas a partir das práticas e interesses de cada grupo.

Fonte: (www.pucsp.br/tead/n1a/artigos)